A relação médico-paciente deve ser pautada pelo respeito e pela confiança. No entanto, em algumas situações, o profissional de saúde pode enfrentar ameaças ou comportamentos hostis por parte de pacientes ou familiares. Diante disso, é fundamental conhecer seus direitos e as medidas previstas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para garantir segurança, preservar a ética profissional e manter a continuidade do cuidado de forma responsável. Neste artigo, você vai entender o que fazer quando ameaçado, como encerrar a relação de forma legal e quais estratégias preventivas adotar para evitar riscos no exercício da medicina.

1. Registrar a ocorrência imediatamente

O CFM orienta que, em caso de ameaça, o médico deve registrar boletim de ocorrência (BO) na delegacia mais próxima ou até mesmo online. Essa providência é o primeiro passo para garantir segurança e respaldo legal.(Portal Médico, Portal Médico)

2. Comunicar formalmente à instituição

É essencial informar por escrito às diretorias clínica e técnica da unidade de saúde, detalhando o ocorrido, os envolvidos e eventuais testemunhas. Essa comunicação garante proteção institucional ao profissional.(Portal Médico)

3. Encaminhar o paciente a outro colega

Quando a situação não envolver urgência ou emergência, o médico pode e deve encaminhar o paciente a outro profissional. Isso resguarda a segurança e permite a continuidade do atendimento.(Portal Médico, Portal Médico)

4. Abandono ou término da relação médico-paciente

Segundo o Código de Ética Médica (exemplificado por CREMERS), se existir prejuízo ao bom relacionamento ou ao desempenho profissional, o médico tem o direito de renunciar ao atendimento, desde que:

  • Comunique previamente o paciente (ou seu representante legal);

  • Assegure a continuidade dos cuidados;

  • Forneça todas as informações necessárias ao médico substituto.

Isso é compatível com as normas do CFM, que respaldam o rompimento em situações graves, com responsabilidade e segurança jurídica.

5. Outras estratégias de prevenção

Medida Descrição
Documentação rigorosa Mantenha o prontuário sempre atualizado e claro, incluindo consentimentos informados e registros de qualquer incidente ou comunicação relevante. Isso fortalece a defesa em situações adversas.
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) Utilize boas práticas no processo de consentimento; a Recomendação CFM 1/2016 exige comunicação transparente e respeito à autonomia do paciente.(acesse aqui modelos)
Conhecimento das resoluções do CFM Estar atualizado sobre normas como a Resolução 2.232/2019 (sobre recusa terapêutica e objeção de consciência) permite agir dentro do amparo ético e legal.(Portal Médico)
Apoio institucional e segurança Exigir presença de segurança e infraestrutura segura nas unidades de saúde, em consonância com as orientações do CFM sobre condições de trabalho.(Portal Médico, Portal Médico)

6. Proteção adicional: seguro e apoio jurídico

Além das medidas acima, recomenda-se:

  • Contratar um seguro de responsabilidade profissional com cobertura adequada para incidentes envolvendo ameaças ou violência;

  • Ter um advogado especializado familiarizado com a legislação médica e o CFM, que possa dar suporte imediato em caso de crise.


Conclusão


O médico que enfrenta ameaças de pacientes deve agir com firmeza: registrar a ameaça, comunicar formalmente, e encerrar a relação profissional quando necessário, sempre dentro dos preceitos do Código de Ética e das resoluções do CFM. A prevenção envolve documentação cuidadosa, consentimento adequado, estrutura física segura, seguro profissional e apoio jurídico qualificado.


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